O controle de Salmonella na Avicultura, ainda é, em muitos sistemas, baseado em ações pontuais, aplicadas apenas em momentos de maior pressão sanitária. Embora essas medidas possam gerar efeito imediato, raramente são suficientes para reduzir de forma consistente a pressão de infecção ao longo do ciclo produtivo nas integrações.
A experiência prática mostra que a Salmonella se mantém no sistema, principalmente, por duas vias principais: ingestão do patógeno via ração e ambiente (cama) contaminado. Quando apenas uma dessas frentes é tratada, o patógeno encontra novos caminhos para persistir e se reestabelecer nos lotes seguintes. Por esse motivo, programas integrados de controle apresentam resultados mais estáveis e previsíveis do que soluções isoladas.
O ambiente é o primeiro elo da cadeia. Durante o intervalo entre lotes, cada vez mais reduzido, fatores como: presença de umidade excessiva na cama, elevada carga orgânica e vetores mecânicos, favorecem a sobrevivência e disseminação de Enterobactérias. Estratégias de controle ambiental baseadas em ação física permitem reduzir esses fatores de risco sem gerar resistência microbiológica, diminuindo o desafio sanitário inicial enfrentado pelas aves no novo alojamento.
Com as aves alojadas, o maior foco passa a ser manter e ou melhorar a qualidade intestinal. A colonização intestinal, de forma mais importante, no ceco, por Salmonella, está diretamente relacionada ao equilíbrio da microbiota e ao pH do trato gastrointestinal. Ambientes intestinais com alto pH favorecem a multiplicação do patógeno e aumentam sua excreção fecal, retroalimentando a contaminação do sistema produtivo.
Nesse contexto, estratégias voltadas à acidificação do trato digestivo tornam-se fundamentais. A utilização de ácidos orgânicos não-tamponados, estrategicamente protegidos com gorduras funcionais, também com efeito antimicrobiano, permite atuar ao longo de diferentes segmentos intestinais, reduzindo a viabilidade dos patógenos e favorecendo microrganismos benéficos. O efeito prático é a redução da pressão de infecção, associada à melhora da integridade intestinal, da uniformidade dos lotes e do desempenho zootécnico.
Paralelamente, a água de bebida exerce papel estratégico no controle sanitário. Sistemas com pH inadequado ou presença de biofilme, funcionam como reservatórios permanentes de contaminação. Protocolos de acidificação da água, com ácidos que entram sob a forma não-dissociada no trato gastrointestinal das aves, em períodos estratégicos, como: manejos e trocas de ração, além de período pré-abate, permitem reduzir rapidamente a carga bacteriana, reduzindo a colonização de patógenos como a Salmonella, em porções com pH mais alcalino, como o ceco, atuando de forma eficiente em momentos críticos do ciclo produtivo.
Do ponto de vista da tomada de decisão, programas integrados e eficientes para o controle de Salmonella, são os que permitem sair de uma postura reativa para uma abordagem preventiva. Ao integrar ambiente, nutrição e jejum hídrico pré-abate, o sistema produtivo ganha em segurança sanitária, previsibilidade de resultados e eficiência operacional, protegendo desempenho e reduzindo riscos ao longo do tempo.
Ana Paula Pereira
MSc., Zootecnista
Coordenadora Técnica Nacional de Avicultura SANEX
Fonte: Feed & Food
