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Ácidos ganham espaço como aliados estratégicos na saúde intestinal dos suínos

Evolução tecnológica amplia eficiência dos acidificantes no controle sanitário, digestibilidade e desempenho produtivo nas granjas.

Alternativa amplamente difundida e utilizada aos antibióticos, os ácidos são ferramentas importantes na nutrição animal desde a década de 60. No início, porém, ácidos como o propiônico e o fórmico eram usados na conservação de silagens e grãos úmidos, para controlar o crescimento de fungos e leveduras e auxiliar na fermentação.

Na década de 80, ácidos cítrico e fumarico começaram a ser empregados nas dietas de monogástricos, em especial nas rações de leitões recém-desmamados por causa da hipocloridria atribuída à imaturidade do trato gastrointestinal.

Nesta década ainda, além da melhora da digestão de proteínas no estômago, observou-se redução da incidência de diarreias e eles começaram a ser considerados como substitutos aos Antibióticos Promotores de Crescimento (APCs) na Europa e para controle de patógenos como Escherichia coli e Salmonella, ambas bactérias Gram-.

Mas foi depois dos anos 2.000 que tecnologias foram desenvolvidas para que os ácidos pudessem chegar disponíveis em todas as partes do trato gastrointestinal, como intestinos delgado e grosso e exercer funções de modulação de microbiota e integridade de vilosidades intestinais. Além de tecnologias como proteção ou microencapsulamento de moléculas com óleos vegetais, como o de palmiste, outros ácidos como o benzoico e o láurico foram introduzidos ampliando a gama de benefícios como a acidificação urinária e redução de amônia no ambiente (benzoico) e ação em bactérias Gram+ e fonte de energia rápida (láurico).

A ESCOLHA

Mas, e aí, você sabe qual escolher? Se a resposta é não ou talvez, você está na página certa deste jornal. Vamos começar pelo início: os ácidos podem ser classificados por critérios funcionais, físicos ou estruturais que determinam como eles agem dentro do suíno. A divisão química mais clássica separa os ácidos que possuem carbono em sua composição (orgânicos) dos que não o possuem (inorgânicos). Os ácidos orgânicos (como fórmico, lático, fumárico, cítrico e benzoico) são considerados fracos, ou seja, eles não se dissociam (liberam H+) completamente em solução aquosa. Essa dissociação vai depender do pKa (constante de dissociação iônica, Figura 1) do ácido e do pH do meio em que ele está (Figura 2).

Se o pH do meio for menor que o pKa do ácido, ele vai estar menos dissociado e vice-versa. Essa fração não-dissociada tem uma ação antimicrobiana direta em bactérias Gram- e quando dissociado exerce função acidificante do meio. Ao comparar o pKa do ácido candidato ao uso com o pH das diferentes partes do trato gastrointestinal dos suínos (Figura 2), você pode prever onde o aditivo será mais eficiente e qual ação você pode esperar naquela parte. Além dessas ações, ácidos como o cítrico e o fumárico, são fonte de energia rápida e direta para as células intestinais pois entram no Ciclo de Krebs (Ciclo do Ácido Cítrico) nas mitocôndrias. Ácidos como cítrico, benzoico e fumarico ainda são
usados como palatabilizantes.

Na suinocultura, o ácido inorgânico mais comumente utilizado é o fosfórico. Eles são considerados ácidos fortes, ou seja, se dissociam completamente e imediatamente em solução aquosa. São excelentes para reduzir rapidamente o pH estomacal. A sua atuação é por via indireta, baixando tanto o pH do meio que bactérias patogênicas tem dificuldade de sobreviver. Atuam ativando enzimas digestivas estomacais, como a pepsina, e podem ser fontes de minerais, como o fósforo. Os pontos de atenção são a inclusão e duração do uso, além de ter ação restrita ao estômago e não ter ação antimicrobiana direta.

Os ácidos orgânicos são mais largamente utilizados por serem mais seguros e podem ser divididos em tamponados e não-tamponados. Os ácidos tamponados são os sais ácidos (como formiato de cálcio e butirato de sódio) desenvolvidos inicialmente para tornar os ácidos não-tamponados (livres) menos voláteis, menos corrosivos e com odor menos agressivo. Só que esse tamponamento requer o uso de inclusões maiores e perda da eficiência acidificante e bactericida em relação aos não-tamponados.

Figura 1 – Curva de titulação do ácido acético. O pH da mistura é medido após cada adição de NaOH à solução de ácido acético. Esse valor é colocado em um gráfico em função da quantidade de NaOH adicionada, expressa como a fração da concentração total necessária para converter todo o ácido acético (CH3COOH) na sua forma dissociada, acetato (CH3COO–). Os pontos obtidos geram a curva de titulação. Nos retângulos, estão mostradas as formas iônicas predominantes nos pontos indicados. No ponto central da titulação, as concentrações de doadores de H+ e aceptores de H+ são iguais, e o pH é numericamente igual ao pKa. A zona sombreada é a região útil com poder tamponante, geralmente entre 10 e 90% da titulação de um ácido fraco. (adaptado de Nelson, 2022).

Figura 2 – Variação do pH no trato gastrointestinal de suínos. (Gemini, 2026).

Na suinocultura, o ácido inorgânico mais comumente utilizado é o fosfórico. Eles são considerados ácidos fortes, ou seja, se dissociam completamente e imediatamente em solução aquosa. São excelentes para reduzir rapidamente o pH estomacal. A sua atuação é por via indireta, baixando tanto o pH do meio que bactérias patogênicas tem dificuldade de sobreviver. Atuam ativando enzimas digestivas estomacais, como a pepsina, e podem ser fontes de minerais, como o fósforo. Os pontos de atenção são a inclusão e duração do uso, além de ter ação restrita ao estômago e não ter ação antimicrobiana direta.

Os ácidos orgânicos são mais largamente utilizados por serem mais seguros e podem ser divididos em tamponados e não-tamponados. Os ácidos tamponados são os sais ácidos (como formiato de cálcio e butirato de sódio) desenvolvidos inicialmente para tornar os ácidos não-tamponados (livres) menos voláteis, menos corrosivos e com odor menos agressivo. Só que esse tamponamento requer o uso de inclusões maiores e perda da eficiência acidificante e bactericida em relação aos não-tamponados.

BLENDS

Com a evolução da indústria, tecnologias de secagem de ácidos não-tamponados, ou seja, livres e geralmente líquidos, e de proteção ou microencapsulamento deles, tornou o uso desses ácidos seguro e eficiente. A última etapa dessa evolução, foi a combinação de vários ácidos não-tamponados em blends. Com isso, é possível somar os benefícios individuais de cada ácido e ter um produto com ação muito mais abrangente.

Hoje, temos blends de ácidos orgânicos não-tamponados que: são seguros para manipulação operacional na fábrica, para equipamentos e para consumo dos animais; a ração que os contém pode ser peletizada; a ração já sofre ação sanitizante na mistura; são palatabilizantes; ativam enzimas digestórias e melhoram a digestibilidade; tem ação bactericida direta e bacteriostática; são fonte de energia rápida e direta para as células intestinais; agem em todo o trato gastrointestinal e geniturinário; modulam a microbiota; tem ação antinflamatória e antioxidante (proteção por óleo vegetal); diminuem a pressão de infecção e a concentração de amônia no ambiente.

Embora as características técnicas apresentadas apontem a ação e eficiência, é a sua escolha que define o destino produção. Pois em cada ácido selecionado e tecnologia empregada, não há apenas uma fórmula química e uma técnica industrial, mas a visão de quem conhece a fundo os desafios da sua própria granja. A escolha é sempre sua!

Flávia Cristina Silva
Médica Veterinária (UFU) e MBA Gestão Empresarial (FGV),
Coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex

Fonte: O Presente Rural

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