Nos anos 90, quando se falava em vacas de alta produção, era difícil encontrar rebanhos com 28-30 litros por vaca dia, em uma lactação de 305 dias. De lá para cá, genética, bem-estar animal e nutrição contribuíram para que as médias ultrapassassem os 40 litros por animal dia, como acontece na região dos Campos Gerais, Sul do Brasil.
O uso da genômica, que identifica animais geneticamente superiores na fase embrionária ou logo após o nascimento, permite que fêmeas avaliadas genotipicamente apresentem produções em primeira lactação muito próximas às de vacas multíparas, com menor incidência de problemas e descartes. E a evolução continua. A pergunta que fica: estamos fornecendo “combustível” adequado para produção, reprodução, saúde e longevidade dessas “máquinas” produtoras de leite?
As exigências nutricionais precisam ser atendidas de forma eficiente e rentável. A energia, um dos principais nutrientes da dieta, tem que ser escolhida de forma assertiva para que não se torne um entrave na produção e saúde dos animais. Logo, a substituição parcial da energia vinda de amido por energia vinda de gorduras precisa ser ponderada.
É importante ressaltar que os lipídeos estão presentes em grande quantidade em muitos dos ingredientes utilizados na dieta de bovinos, como caroço e farelo de algodão, DDG, resíduo de cervejaria, gérmen de milho, além das fontes diretas como as gorduras de palma e soja, inertes no rúmen. As gorduras, ou lipídeos, fornecem cerca de duas vezes mais energia do que o amido no mesmo quilograma de matéria seca. Além disso, reduzem o risco de acidose ruminal e a produção de calor metabólico — reduz o estresse calórico.
Os ácidos graxos, resultado da quebra da gordura no rúmen, são precursores de hormônios esteroides, logo a reprodução das vacas também é beneficiada, bem como o meio ambiente, já que a inclusão de lipídeos colabora para reduzir a emissão de metano.
Mas como nem tudo que reluz é ouro, as gorduras podem diminuir a digestibilidade da matéria seca. E quando chegam ao intestino são pouco absorvidas, sendo literalmente eliminadas nas fezes, pois bovinos são ineficientes no processo de emulsificação, que é a fragmentação em partículas microscópicas, para que a digestão enzimática seja eficiente, potencializando a absorção no intestino.
AÇÃO EMULSIFICANTE
Pesquisas recentes mostram que o uso de aditivos melhoradores de desempenho com ação emulsificante, amenizam os efeitos negativos da gordura no rúmen, melhorando inclusive a digestibilidade da fibra, e no intestino, garantem uma eficiente emulsificação, digestão e absorção. O resultado é o aumento na produção de leite e sólidos em vacas leiteiras.
Tabela: Comparativo entre produção, composição do leite, saúde de glândula mamária e perfil de ácidos graxos em vacas alimentadas com dieta convencional (Controle), com suplementação de gordura (Gordura) e suplementação de gordura com adição de aditivo melhorador de desempenho com ação emulsificante (POWERBOV).
Legenda: ProdLeite (produção de leite), CCS (contagem de células somáticas), ECS (escore de células somáticas), Gord% (percentual de gordura), GordProd (produção de gordura), Prot% (percentual de proteína), ProtProd (produção de proteína), Lact% (percentual de lactose), NUL (nitrogênio ureico no leite), ESTE (ácido esteárico), OLEIC (ácido oleico), ACET (ácido acético).
POWERBOV: Aditivo melhorador de desempenho com ação emulsificante.
CORTE
Essa tecnologia é também utilizada bovinos de corte, com ganhos de peso de carcaça e maior deposição de gordura e marmoreio, colaborando para que pecuaristas reduzam o período de confinamento, além de garantir melhores preços com a bonificação por carcaças melhor acabadas.
Márcia Skorei
Médica-veterinária, pós-graduada em Nutrição de Bovinos de Leite
Coordenadora Técnica Nacional – Ruminantes – Sanex
Fonte: O Presente Rural
