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Segurança no uso de lipídeos em dietas de ruminantes

A pecuária de corte é uma das atividades mais potentes do agronegócio brasileiro e o cenário tem se mostrado bastante otimista, principalmente na demanda global pela carne bovina. Porém, a queda na oferta de animais e as condições climáticas podem criar dificuldades para o setor, logo aliar técnicas de nutrição ao melhoramento genético, bem como o uso de tecnologias e gestão são critérios para eficiência produtiva.

No que tange tecnologias na nutrição, o uso de dietas ricas em lipídeos é metabolicamente mais seguro, pois diminui os riscos de acidose ruminal, produz menos calor metabólico – contribuindo para redução de estresse calórico – também reduz a produção e emissão de metano. Outra vantagem é que os lipídeos fornecem em torno de 2,25 vezes mais energia do que o amido. Com isso é possível reduzir o número de dias no confinamento, com excelente ganho de peso e acabamento de carcaça. Há no Brasil, uma boa oferta de ingredientes com alto teor de lipídeos, como: DDG, caroço de algodão, gérmen de milho e farelo de arroz gordo, entre outros que podem ser utilizados nas dietas de bovinos como fontes alternativas de energia, sendo excelentes opções para substituição do milho quando a oferta e ou preço deste possa encarecer o custo da dieta.

Produtores que adotaram essa tecnologia relatam uniformidade de lote, animais prontos para o carregamento com menos dias no confinamento, redução com custos de diárias, maior ganho de peso e melhor acabamento de carcaça.

TOXICIDADE

No entanto, por questões fisiológicas, existem limitações na inclusão de lipídios, nas dietas de ruminantes, por apresentarem toxicidade aos microrganismos ruminais e reduzirem a digestão de fibras. Isso desencadeia certa insegurança tanto em nutricionistas quanto em produtores, quando se fala em aumentar o teor de lipídeos na alimentação desses animais de produção.

ADITIVOS EMULSIFICANTES

Uma alternativa é realizar o fornecimento de aditivos emulsificantes, que promovem a incorporação de ácidos graxos e aumento de sua absorção no intestino delgado devido sua capacidade de passar pelo rúmen e aumentar a digestibilidade de lipídeos, ações que permitem a utilização de níveis mais elevados de gordura na dieta sem causar danos à fermentação ruminal.

Alguns emulsificantes são enriquecidos com ingredientes que melhoram a digestibilidade da matéria seca – inclusive fibra em detergente neutro – aumentam a concentração de ácidos graxos voláteis no rúmen e potencializam as atividades enzimáticas, além de diminuir as populações de protozoários e bactérias metanogênicos totais. Um fator que irá determinar o sucesso no uso desse aditivo é o processo industrial pelo qual é submetido, para que possa manter a integridade dos fosfolipídeos potencializando a ação emulsificante.

ESTUDO

Um experimento realizado no Confinamento do Núcleo de Produção Animal (Nupran) no Setor de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual do Centro-Oeste, no Paraná, utilizando dietas com teor de extrato etéreo (EE) de 4,97% da matéria seca, concluiu que a administração do aditivo emulsificante melhorou a digestibilidade da fração etérea e fibrosa da ração, com dose de 10 g animal/dia e garantiu maior média de ganho de peso diário e animais com maior peso vivo no abate.

Na prática, produtores que adotaram essa tecnologia relatam uniformidade de lote, animais prontos para o carregamento com menos dias no confinamento, redução com custos de diárias, maior ganho de peso e melhor acabamento de carcaça. Destaca-se que em sistemas de terminação intensiva a pasto, mesmo com variação na oferta de forragem, os animais mantêm e até aumentam o ganho de peso.

Por: Márcia Skorei – Coordenadora técnica da Linha de Ruminantes da Sanex

Fonte: O Presente Rural

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