ovos

Mar 25

Especialistas em nutrição do Reino Unido questionaram as conclusões do artigo “Associações do colesterol dietético, ou o consumo de ovos, com doenças cardiovasculares e incidentes de mortalidade”, publicado no JAMA (Journal of the American Medical Association), no último 15 de março.

O referido artigo questiona anos de estudos sobre o consumo de ovos, relacionando o colesterol dietético com a incidência de doenças cardiovasculares (ECV). Segundo a BEIC (British Egg Industry Council) destaca em seu site na internet, originalmente, pensou-se que comer alimentos ricos em colesterol era uma importante causa de níveis elevados de colesterol no sangue e, portanto, aumentava o risco de doenças cardíacas.

“No entanto, apenas cerca de um terço do colesterol no corpo vem da dieta (nossos corpos fazem o resto)”, destaca a entidade. “Hoje aceita-se que a quantidade de gordura saturada que comemos tem efeito maior sobre os níveis de colesterol no sangue, do que o colesterol na dieta”, completa.

Atualmente, todos os organismos consultores de saúde e coração do Reino Unido, incluídos o Departamento de Saúde e a Fundação Britânica do Coração, aconselham que o colesterol dietético de alimentos, como os ovos, não aumenta o risco de doenças cardíacas na maioria das pessoas. 

Os resultados deste novo estudo são interessantes, porém, são inconsistentes no que diz respeito ao considerável peso da evidência de pesquisas sólidas anteriores, que demonstram que o consumo de um ovo por dia não tem efeitos clinicamente significativos sobre o colesterol LDL na maioria das pessoas“, afirma a nutricionista britânica registrada em saúde pública, Dra. Juliet Gray.

O referido estudo publicado pelo JAMA relacionou o consumo de ovos e o colesterol dos ovos, com a mortalidade cardiovalscular, após um acompanhamento de 29.615 norte-americanos, durante 31 anos. Voluntários anotaram seu consumo em questionários sobre sua alimentação.

“É provável que isto gere erros por descuido, esquecimento ou má interpretação das perguntas, embora os autores tenham tentado controlar adequadamente essa possível fonte de erro”, salienta o dietista-nutricionista Júlio Basulto, em artigo publicado no El País.

Por sua vez, o Departamento de Nutrição da Universidade Harvard, aponta que uma limitação importante do estudo relaciona-se ao fato de que a dieta só foi avaliada uma vez e seus resultados foram quantificados 30 anos depois. Segundo o Departamento, nesse período muitos voluntários podem ter mudado sua alimentação, o que decididamente influi nos resultados.

Segundo Basulto, outro ponto  a ser observado  é indistinção sobre a forma como os ovos foram consumidos, se de forma direta, ou incorporado a preparações mistas. “E se forem os ingredientes presentes nessas preparações mistas, que aumentam o risco cardiovascular“, questiona. “Um desses ingredientes, que não aparece como possível fator de confusão no estudo, é o açúcar (quantos dos ovos consumidos pelos norte-americanos são em forma de volos, cupcakes, bolachas etc)”, pondera,

Várias suposições foram realizadas durante a análise dos dados dietéticos de seis contingentes diferentes, utilizando métodos distintos de avaliação dietética para chegar às frequências de consumo de ovos e outros alimentos. Ainda que o documento tenha sido ajustado a muitas variáveis da dieta e outras formas de vida, os autores reconhecem a probabilidade da confusão residual.

Pesquisas recentes ressaltaram a importância de separar o ovo de outras fontes de alimentos, como a carne, para avaliar seu impacto nos pontos finais da doença (1).

“É sabido que os grandes consumidores de ovos, historicamente, também foram grandes consumidores de produtos cárneos processados, como salsichas e toucinho, como parte dos desjejuns tradicionais e refeições rápidas”, destaca a Dra. Gray. A carne processada contém grandes quantidades de gordura saturada, um fator de risco reconhecido para as DVCs (Doenças Cardiovasculares).

O novo estudo em si destaca uma série de limitações significativas e destaca que os resultados são correlações, que não implicam causalidade, ou seja, relação de causa e efeito. Não foi medido o colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) em soro, nem outros fatores de risco. Não há evidências de um mecanismo.

O British Egg Industry Council também destacou que um estudo realizado pelo professor Frank Hu,também publicado no JAMA em 1999 (2)reportou risco insignificante da associação entre comer de 2 a 4 ovos por semana e doenças coronárias. Segundo o novo estudo, os riscos  para as associações entre comer 3,5-4,5 ovos/semana e risco/ morte por DCV são de fato menores que os dados de risco publicados há 20 anos, interpretados como “insignificantes”.

Referências
Sabaté J, Burkholder-Cooley NM, Segovia-Siapco G et al. (2018) Unscrambling the relations of egg and meat consumption with type 2 diabetes risk. Am J Clin Nutr. 108(5): 1121-28
Hu FB, Stampfer MJ, Rimm WB et al. (1999) A prospective study of egg consumption and risk of cardiovascular disease in men and women. JAMA 28(15): 1387-94.

 

Fonte: Avinews com informações – International Egg Commission – Na tradução ao português, a matéria teve acrescidas informações retiradas de artigo autoral de Julio Basulto, publicado no Jornal El País

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